sábado, 1 de outubro de 2016

Indicando Músicas #01: Lisa Gerrard



Você talvez ame as músicas da Lisa Gerrard e nem se deu conta de quem ela é. Muitas pessoas confundem sua voz com a da Enya, mas é fato de que as parcerias de Lisa Gerrard com os compositores de trilhas sonoras do Cinema são excepcionais. Aqui estão algumas trilhas em que ela fez parceria:


• Mission: Impossible 2 (2000) - Injection: 


• Black Hawk Down (2001) - Gortoz A Ran - J'attends: 


• Gladiator (2000) - Now We Are Free: 


• Heat (1995) - Gloradin: 


• The Mist (2007) - The Host of Seraphim: 

Particularmente, esses 5 filmes estão entre os meus favoritos. A música dela também está presente em filmes como: Unfaithful; King Arthur; Ali; Collateral; etc... 

Boa audição. 
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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

2011

Percorrendo uma estrada
Vou ao seu encontro
E, como num conto,
A envolvo e lhe beijo
Matando o nosso desejo.

Que loucura,
Toda essa aventura
Que busco, ao pensar em você.
Talvez isso que eu sinta,
Eu não deva esquecer.

Só queria mais um tempo
Ao seu lado.
Mas ele voa e, então, eu tento
Não ficar parado.

Espero, muitas vezes, lhe encontrar,
Porque já tenho, por ti, um enorme carinho.
Vamos abrir uma garrafa de vinho
E uma noite toda nos amar?


2011.

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sábado, 20 de agosto de 2016

Saúde Mental: Uma Sábia Reflexão de Rubem Alves

Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.
Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maikóvski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh se matou. Wittgenstein se alegrou ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakóvski suicidou.
Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.
Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as ideias se comportam bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado, nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme!), ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, que tenha a coragem de pensar o que nunca pensou. Pensar é coisa muito perigosa…
Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idiotas de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. É claro que nenhuma mamãe consciente quererá que o seu filho seja como Van Gogh ou Maiakóvski. O desejável é que seja executivo de grande empresa, na pior das hipóteses funcionário do Banco do Brasil ou da CPFL. Preferível ser elefante ou tartaruga a ser borboleta ou condor. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego. Mas nunca ouvi falar de político que tivesse stress ou depressão, com exceção do Suplicy. Andam sempre fortes e certos de si mesmos, em passeatas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.
Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.
Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas se chama hardware, literalmente coisa dura e a outra se denomina software, coisa mole. A hardware é constituída por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. A software é constituída por entidades espirituais – símbolos, que formam os programas e são gravados nos disquetes.
Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos, o cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo espirituais, sendo que o programa mais importante é linguagem.
Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele. Assim, para se lidar com o software há que se fazer uso de símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.
Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos do Drummond e o corpo fica excitado.
Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e acessórios, o software, tenha a capacidade de ouvir a música que ele toca, e de se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta, e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei, no princípio: a música que saía do seu software era tão bonita que o seu hardware não suportou.
A beleza pode fazer mal à saúde mental. Sábias, portanto, são as empresas estatais, que têm retratos dos governadores e presidentes espalhados por todos os lados: eles estão lá para exorcizar a beleza e para produzir o suave estado de insensibilidade necessário ao bom trabalho.
Dadas essas reflexões científicas sobre a saúde mental, vai aqui uma receita que, se seguida à risca, garantirá que ninguém será afetado pelas perturbações que afetaram os senhores que citei no início, evitando assim o triste fim que tiveram.
Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente perigosos. Já o roque pode ser tomado à vontade, sem contra indicações. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do Dr. Lair Ribeiro, por que arriscar-se a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. A saúde mental é um estômago que entra em convulsão sempre que lhe é servido um prato diferente. Por isso que as pessoas de boa saúde mental têm sempre as mesmas ideias. Essa cotidiana ingestão do banal é condição necessária para a produção da dormência da inteligência ligada à saúde mental. E, aos domingos, não se esqueca do Sílvio Santos e do Gugu Liberato.
Seguindo esta receita você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, ao invés de ter o fim que tiveram os senhores que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já não mais saberá como eles eram.
(Provavelmente escrito em 1994)


Fonte: Instituto Rubem Alves
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P.S.: Agradeço a C.W. por ter sido a fonte para a minha descoberta deste texto e assim, descobrir também o filme "Shirley Valentine". 

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domingo, 14 de agosto de 2016

Indicando Filmes #06: Where To Invade Next


Eu simpatizo demais com o trabalho do Michael Moore. Meu favorito sempre foi Tiros em Columbine. Michael sempre mostrou-se crítico ao próprio país, sem ter uma síndrome de inferioridade. Não é que o país seja menos dos que os outros, mas suas práticas merecem ser revistas, desconstruídas. Ao longo dos anos, podemos perceber isso em cada canto desse mundo. Todo país tem seus problemas, suas tradições (sejam elas negativas ou positivas para a sociedade). Todo país possui cidadãos que cometem crimes, dos mais altos aos mais baixos índices anuais. E Moore, apesar de nos apresentar apenas o lado bom de cada país ‘invadido’, traz o poder do questionamento. Neste filme, ele não quer nos passar verdades absolutas, receitas de felicidade, ou segredos do sucesso. Ele apenas nos brinda com a reflexão de que podemos mudar. De que podemos melhorar. De que podemos enxergar os problemas com outros olhos. Mudar nossa percepção. Perdoar ao invés de odiar. Cuidar ao invés de agredir. Praticar o coletivismo ao invés do individualismo.
Eu me questionei muitas vezes a respeito de todos os países em que ele pisou. Pelo modo como nos foi mostrado, não é difícil encher os olhos e dizer: “Vamos nos mudar pra lá. É lá que se encontra a felicidade, a oportunidade…” Mas como eu havia dito, todo país tem seus problemas ou nem isso, talvez os problemas com que lidamos aqui, lá seja visto de outra forma. E vice-versa. A questão é que podemos enxergar o mundo com outros olhos. Podemos e devemos. Aprender um pouco mais sobre a cultura de um país, ir visita-lo. Tudo isso só reforça a minha vontade de exercitar a prática de viver sem precisar de muito. De não sacrificar a própria saúde e qualidade de vida por bens criados pelo homem. De que mais vale um pequeno espaço que é totalmente seu, do que um lugar enorme e ter que trabalhar uma vida para manter e (usando o velho clichê) chegar no fim e descobrir que não viveu.

Viver plenamente, ter sucesso na vida, são frases muito relativas. E cada dia que passa é uma chance de repensar certos conceitos que nos foram ensinados ao longo de nossa vida.

Michael Moore está de parabéns e torna ‘Where To Invade Next”, na minha opinião, obrigatório.

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